A ABES – Associação Brasileira das Empresas de Software, que tem como propósito a construção de um Brasil mais digital e menos desigual, apresentou nesta segunda-feira (15) a segunda parte do Estudo Mercado Brasileiro de Software – Panorama e Tendências 2026. Desenvolvido com base em dados da International Data Corporation (IDC), o levantamento mostra um mercado cada vez mais maduro, impulsionado pela Inteligência Artificial, pela expansão dos serviços digitais e pela descentralização gradual dos investimentos em tecnologia pelo território nacional. A íntegra do Estudo Mercado Brasileiro de Software – Panorama e Tendências 2025 estará disponível a partir do dia 18 de junho para download em https://abes.org.br/dados-do-setor/.
O estudo revela que o Brasil encerrou 2025 com 41.613 empresas atuando nos segmentos de software e serviços, movimentando um mercado de US$ 35,4 bilhões. O país segue como o principal mercado de tecnologia da América Latina e mantém sua relevância global em um cenário marcado pela transformação digital dos negócios, pela adoção crescente de Inteligência Artificial e pela modernização da infraestrutura tecnológica.
Segundo Jorge Sukarie Neto, conselheiro da ABES e responsável pelo estudo, os resultados demonstram que a Inteligência Artificial deixou de ser uma tendência futura para se tornar uma prioridade concreta nas estratégias de negócios das organizações brasileiras. “Os dados mostram que as empresas brasileiras avançaram da fase de experimentação para a implementação prática da Inteligência Artificial. Os agentes de IA passam a ocupar um papel cada vez mais relevante na automação de processos, na produtividade e na geração de novos modelos de negócio. Ao mesmo tempo, observamos um mercado de tecnologia cada vez mais distribuído regionalmente e sustentado por um ecossistema robusto de empresas inovadoras”, afirma.
A pesquisa também mostra que a Inteligência Artificial Generativa e os Agentes de IA lideram a agenda estratégica das empresas brasileiras para 2026, sendo apontados por 53% dos executivos como o tema prioritário para os investimentos em tecnologia. Segurança da informação e segurança em nuvem aparecem na sequência, com 41%, seguidas por Inteligência Artificial e Machine Learning (35%), infraestrutura de nuvem (24%) e Big Data e Analytics (24%).
A adoção dos agentes de IA também avança rapidamente, de acordo com os dados analisados pela ABES. Atualmente, 40% das empresas já realizam investimentos nessa tecnologia, enquanto outras 33% pretendem iniciar projetos nos próximos 12 meses. Na prática, mais de sete em cada dez organizações brasileiras já investem ou planejam investir em agentes inteligentes no curto prazo. Mas, apesar do avanço, os desafios permanecem. Questões relacionadas à qualidade dos dados, modernização de sistemas legados, governança, escalabilidade dos projetos e escassez de profissionais especializados continuam entre os principais obstáculos para ampliar o uso da Inteligência Artificial em escala corporativa.
Mercado segue pulverizado e liderado por pequenos negócios
O levantamento também mostra que o ecossistema brasileiro de software e serviços continua sendo impulsionado por pequenas empresas. Das 41.613 organizações identificadas, 62,5% são microempresas e 31,8% são pequenas empresas. Juntas, elas representam 94,3% de todo o setor.
As médias empresas correspondem a 3,4% do mercado, enquanto as grandes organizações representam apenas 2,3%. No recorte por atividade, as empresas de serviços lideram com 37,6% do total, seguidas por distribuidoras de tecnologia (33,3%) e desenvolvedoras de software (29,1%).
Setor financeiro lidera demanda por software e serviços
Do lado da demanda, o setor financeiro continua sendo o maior consumidor de tecnologia no Brasil, respondendo por 25,4% de todo o mercado de software e serviços.
Na sequência aparecem os segmentos de Serviços e Telecomunicações (24,3%) e Indústria (19,5%), consolidando três verticais que juntas concentram aproximadamente 70% dos investimentos nacionais em software e serviços.
O mercado comprador movimentou US$ 35,4 bilhões em 2025, distribuídos entre Finanças (US$ 8,99 bilhões), Serviços e Telecom (US$ 8,61 bilhões), Indústria (US$ 6,92 bilhões), Varejo (US$ 3,53 bilhões), Setor Público (US$ 2,44 bilhões), Óleo e Gás (US$ 1,34 bilhão), Agronegócio (US$ 670 milhões) e outros segmentos da economia.
Investimentos em TI se tornam mais distribuídos pelo país
O estudo também aponta uma tendência consistente de desconcentração geográfica dos investimentos em tecnologia. Embora o Sudeste permaneça responsável por 62,37% dos investimentos nacionais em TI, sua participação vem diminuindo ao longo dos últimos anos. Em 2012, a região concentrava 65% dos aportes.
O Sul ampliou sua participação de 12% para 16% no mesmo período, enquanto o Norte passou de 2% para 3%. O Nordeste manteve participação próxima a 8%, reforçando o movimento gradual de expansão da economia digital para além dos grandes centros tradicionais.
Em 2025, a distribuição dos investimentos em TI ficou dividida entre Sudeste (62,37%), Sul (15,86%), Centro-Oeste (10,96%), Nordeste (7,70%) e Norte (3,12%).
Perspectivas para 2026
De acordo com a IDC, o mercado brasileiro seguirá crescendo em 2026, embora em ritmo mais seletivo e orientado à eficiência operacional. A expectativa é de crescimento de 5,3% para TI, 3,9% para Telecom e 4,6% para Business IT, segmento que engloba serviços, outsourcing, cloud e soluções corporativas.
O cenário aponta para uma maior priorização de iniciativas voltadas à produtividade, automação, modernização de processos e geração de retorno sobre investimento, consolidando a Inteligência Artificial como um dos principais vetores de transformação empresarial nos próximos anos.
ABES celebra 40 anos acelerando a transformação digital do Brasil
Durante o evento de apresentação da segunda parte do estudo, a ABES também deu início às comemorações de seus 40 anos de atuação e apresentou o conceito que norteará as celebrações ao longo de 2026. Mais do abrir as comemorações, a associação reforçou seu papel na construção e no fortalecimento do ecossistema brasileiro de tecnologia ao longo de quatro décadas, e apresentou o selo comemorativo, desenvolvido para refletir a evolução da entidade e sua visão para o futuro do ecossistema tecnológico brasileiro.
Desde sua fundação, a associação acompanha a evolução da indústria de software e serviços de TI, contribuindo para a criação de um ambiente mais favorável à inovação, à competitividade e ao desenvolvimento econômico do país. Ao longo dessa trajetória, a ABES participou de alguns dos mais importantes movimentos de transformação digital do Brasil, atuando na promoção da inovação, no fortalecimento das empresas brasileiras e na construção de políticas e iniciativas voltadas ao desenvolvimento do setor.
“Mais do que revisitar nossa história, queremos reforçar o compromisso com os desafios que marcarão os próximos anos, como a Inteligência Artificial, a soberania digital, a inclusão tecnológica e a sustentabilidade. Celebrar 40 anos não significa olhar apenas para o que construímos até aqui. Significa assumir a responsabilidade de continuar contribuindo para o futuro do Brasil. A tecnologia seguirá sendo uma das principais ferramentas para gerar oportunidades, aumentar a produtividade, reduzir desigualdades e fortalecer a competitividade nacional. Esse é o compromisso que orienta a atuação da ABES desde sua fundação e que continuará guiando nossos próximos passos”, afirmou Andriei Gutierrez, presidente da ABES.
Verticais de Negócios fortalecem conexão entre tecnologia e setores estratégicos
Outro destaque do evento promovido pela ABES foi a reunião da Vertical de Saúde. Com a participação de Ana Estela Haddad, secretária de Informação e Saúde Digital do Ministério da Saúde, que apresentou oportunidades relacionadas ao InovaSUS, a ABES discutiu caminhos para impulsionar a inovação, a modernização dos serviços e a ampliação da saúde digital no Brasil.
O encontro integra a estratégia das Verticais de Negócios da ABES, iniciativa criada para aproximar empresas de tecnologia, organizações usuárias de tecnologia, investidores e representantes do setor público em torno de desafios, demandas e oportunidades comuns. Lançadas em 2024, as Verticais têm como objetivo estimular a geração de negócios, ampliar o networking qualificado e fortalecer a conexão entre o setor de tecnologia e segmentos estratégicos da economia brasileira.
Estruturadas como ambientes permanentes de relacionamento, colaboração e desenvolvimento de oportunidades, as Verticais promovem encontros periódicos, rodadas de relacionamento, debates estratégicos e compartilhamento de experiências entre os participantes. A proposta é acelerar a adoção de tecnologias, fomentar a inovação e criar conexões capazes de gerar novos projetos, parcerias e oportunidades de crescimento para as empresas associadas.
Além de impulsionar negócios, a iniciativa contribui para aproximar o setor de tecnologia dos desafios enfrentados por áreas estratégicas como saúde, cidades inteligentes, educação, infraestrutura, mobilidade, agronegócio, indústria e serviços.
Atualmente, a ABES mantém Verticais dedicadas aos segmentos de Saúde e Cidades Inteligentes, reunindo especialistas, executivos, gestores públicos e lideranças empresariais para discutir tendências, identificar oportunidades e fomentar a construção de soluções capazes de gerar impacto econômico e social. Por meio dessas Verticais de Negócios, a ABES reforça seu compromisso de criar um ambiente cada vez mais favorável à inovação, à competitividade e ao desenvolvimento tecnológico do Brasil, estimulando a colaboração entre empresas, governos, academia e entidades setoriais para acelerar a transformação digital do país.
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