Pix e Open Banking: a integração do mercado financeiro digital

O mercado financeiro vive um momento de intensa transformação digital, na qual todos os seus processos ocorrem simultaneamente em redes rápidas e de forma simples. Dois desses agentes transformadores despontam à frente e são os maiores nomes que as instituições financeiras têm escutado nos últimos anos: Pix e Open Banking.

O primeiro vai permitir que transferências sejam liquidadas em até 10 segundos, 24h por dia, 7 dias por semana, com taxas reduzidas ou até mesmo inexistentes – o que promete acabar com o boleto, DOC e TED -, não há a necessidade de se ter uma conta bancária, podendo ser uma fintech ou qualquer carteira digital. O Open Banking, por sua vez, possibilita o compartilhamento de dados da instituição e do cliente, mediante seu consentimento, abrindo mais oportunidades para novos modelos de negócio, comparação de produtos e serviços, surgimento da figura do iniciador de pagamento e estimulando a concorrência. “São dois projetos diferentes que irão convergir e que de certa forma se completam. Enquanto um integra as contas, o outro compartilha informações. Serão quatro fases do Open Banking e a última, prevista para 2021, é a integração com o Pix, habilitando a iniciação de pagamentos a partir de apps de terceiros”, explica Alexandre Pinto, diretor de Inovação e Novos Negócios da Matera , empresa de desenvolvimento de tecnologia para o mercado financeiro, fintechs e gestão de riscos.

Um bom exemplo de como essa intersecção irá funcionar é a possibilidade que a população terá de utilizar um aplicativo de mensagens instantâneas, como o WhatsApp, para se conectar às suas contas em bancos ou fintechs, não sendo necessária a utilização de apps distintos para isso. Tudo poderá ser feito em um único app que poderá efetuar pagamentos ou recebimentos, ou seja, o consumidor terá a liberdade para utilizar o aplicativo que mais lhe convém para realizar transações financeiras, independentemente dos bancos ou fintechs em que possui conta.

“Tudo isso tira barreiras para competição. Quando se abre para outros players e se aumenta a concorrência, o custo do crédito deve ser reduzido. Existe uma coerência da agenda do Banco Central que é muito interessante para a democratização dos serviços financeiros”, analisa o diretor. Com este cenário, novos players devem surgir no mercado e assim como as fintechs embarcadas, que fazem parte de instituições de outros setores da economia como o varejo e a indústria de consumo (MagaluPay, OLX Pay e Donus, por exemplo), ganharão mais força.

“As fintechs, e-commerces e outras empresas vão capitalizar mais em cima do pagamento instantâneo, mas os grandes bancos vão continuar existindo, principalmente por conta da questão do crédito, que estará mais aberto graças ao Open Banking. Eles são bastante eficientes, tanto na análise do crédito, na captação do dinheiro, empréstimos, e são vantagens competitivas que não vão sumir em curto ou médio prazo. Vai haver somente uma mudança de posicionamento, com um contato mais pontual, e maior interação entre bancos e demais instituições financeiras”, conta Alexandre. O resultado disso é que as todos os players que formam essa cadeia do mercado financeiro já estão se preparando para a chegada e adaptação das duas tecnologias. Com mais integração e possibilidade de concorrência, os brasileiros ganham mais liberdade de escolha e um acesso mais democrático aos serviços e produtos financeiros.

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