Seis problemas que impedem o Brasil de crescer

Os seis maiores problemas econômicos do Brasil, as causas e as soluções foram temas centrais do almoço-debate da última quinta-feira (13), em Curitiba, com o economista e reitor da Universidade Positivo, José Pio Martins. Promovido pelo LIDE Paraná, o encontro reuniu líderes empresariais paranaenses no Hotel Bourbon. Pio Martins é autor dos livros Educação Financeira ao Alcance de Todos (2004), Seu Futuro (2011) e coautor do livro Pinceladas de Inovação (2018).

Para ele, o primeiro grande problema é o tamanho do produto brasileiro: “o que o Brasil produz é muito pouco”, afirmou, comparando o PIB per capita do nosso país (US$ 9.918) com o dos Estados Unidos (US$ 59.533). Ainda comparando com os americanos, nosso segundo gargalo é, de acordo com Pio Martins, a baixa produtividade. Ele citou uma reportagem da revista The Economist, de abril de 2014, para justificar. A matéria compara o número de horas trabalhadas por pessoa e por ano: 277 bilhões nos EUA contra 150 bilhões no Brasil. E não para por aí: a produtividade do americano por hora de trabalho é de US$ 70 – enquanto a do brasileiro é quase cinco vezes menor, US$ 13,73.

O terceiro fator citado pelo reitor é a pobreza – e então ele voltou para o segundo problema: “não há como eliminar a pobreza com a produtividade medíocre que temos”. Para melhorar a produtividade de um país, o economista apontou quatro fatores: o capital físico (infraestrutura); recursos naturais (que não nos faltam); capital humano (grau de escolaridade média, grau de qualificação profissional e cultura da população); e conhecimento tecnológico (o fator que mais nos afasta dos EUA). Como se não bastasse, o Brasil tem um gigantesco desperdício de força de trabalho – o que o reitor destacou como o quarto grande problema. “São 12,7 milhões de desempregados, 4,8 milhões de subempregados e 5 milhões de desistentes entre a população economicamente ativa empregável brasileira, que hoje está em 104 milhões”, argumentou.

Resumindo, Pio Martins garantiu que, para consertar o Brasil, o nosso PIB tem que crescer mais que o crescimento populacional. Para finalizar, o economista citou os dois últimos problemas que emperram o país: “a taxa de investimento no Brasil é medíocre”, diz ele, acrescentando que o setor público retira 34% da renda nacional e investe apenas 2%. E, por último, os déficits fiscais crônicos e uma imensa dívida pública, que chega a quase 80% do PIB, atualmente. “A estrutura do gasto público é desastrosa, já que não tenho palavra pior para descrevê-la. Todos os partidos que passaram pelo poder – incluindo os militares -, sempre gastaram mais do que arrecadaram. E qualquer gestor sabe que isso é catastrófico”, concluiu.

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